Notícia SIC
"Vai-se andando", que estreia, hoje, no Casino Lisboa, é uma peça que "brinca" com algumas características dos portugueses mas que tem "um lado político importante" que pretende levar o público a pensar sobre determinadas situações em Portugal. São as intenções da dupla bem conhecida António Feio, como encenador, e José Pedro Gomes, como actor em cena
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"Nos últimos anos, temos andado a trabalhar na área do humor mas esta peça tem também um lado político muito importante e interessante, para que as pessoas saiam daqui a pensar sobre determinado tipo de situações que se passam em Portugal", disse o encenador, António Feio, em declarações aos jornalistas, no final do ensaio para a imprensa.
José Pedro Gomes -- o único actor da peça -- corroborou a ideia deixada por António Feio, admitindo que, apesar de utilizarem o humor, "há muitos anos" que os dois andam a fazer um "teatro político".
"Começámos por fazer teatro político quando começámos por trazer mais pessoas ao teatro", disse José Pedro Gomes, acrescentando que ao mostrarem as "características más dos portugueses e sobretudo dos tugas" não estão apenas a brincar com essas características -- que ele também admite ter -- mas também a alertar para a necessidade de "limar arestas", sermos "melhores" e contribuirmos para um "país melhor".
Questionado sobre se tem mais projectos planeados, nomeadamente para contracenar com José Pedro Gomes -- seu parceiro de há anos em várias peças, das quais as mais conhecidas serão "Conversas da Treta" - António Feio disse que sim, fazendo-os contudo depender da evolução do seu estado de saúde.
A peça é composta por nove textos de sete autores portugueses, pedidos por António Feio, já depois das férias de Verão e que foram ensaiados durante dois meses.
Sete autores que escreveram textos sobre "tugas"
Nuno Artur Silva, Filipe Homem Fonseca, Luísa Costa Gomes, Henrique Dias, Eduardo Madeira, Nuno Markl e Nilton assinam os textos da peça -- que inicialmente era para se chamar "Os portugueses" mas que António Feio optou por intitular "Vai-se andando", por esta ser uma "expressão muito característica dos portugueses".
Além destes autores, foram também pedidos textos a Miguel Sousa Tavares, António Barreto e Ana Bola que não escreveram por "indisponibilidade de tempo", explicou aos jornalistas António Feio.
"Vai-se andando" é também o título de uma canção da peça, com letra de Marco Horácio.
Com um cenário simples, assinado por Marta Carreiras -- em que um galo de Barcelos insuflável ocupa lugar de destaque e vai "contracenando" com José Pedro Gomes - "Vai-se Andando" tem música de Alexandre Manaia, figurinos de Bárbara Gonzalez Feio, desenho de luz de Luís Duarte, vídeo de Tiago Forte e assistência de encenação de Sónia Aragão.
A peça vai estar em cena de terça-feira a sábado, às 22h00, e aos domingos, às 17h00, no Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa por um período ainda não determinado -- já há bilhetes vendidos para um mês - após o que seguirá em digressão por Portugal.